sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sorriso de Nariz a Nariz!

Por Geison Aquino, fundador e coordenador geral
Doutores P -Multiplicadores da Alegria



           Que honra estou sentindo em abrir oficialmente as postagens do P blog. Uma honra e uma felicidade que não cabem em mim. Aliás como geralmente me sinto em qualquer ação desse projeto que me enche de vida a seis anos.
Sempre fui um apaixonado por teatro e pela arte de uma forma geral, e quando através das minhas experiências teatrais, comecei a me enveredar para a pesquisa do palhaço, logo senti que era exatamente isso que me traria a plenitude. Ser e sentir-se pleno é sentir-se completo, sentir que nada naquele momento te falta, como se todos e todas as coisas coubessem no exato instante agora. E sentir-se feliz com este “exato instante agora”.
Aliás esse é o raciocínio do palhaço. Ele crava os pés no chão, tentando se sentir confortável. Ele quer se sentir confortável, onde quer que esteja. E busca fazer com que todos os lugares sejam os melhores para se estar naquele instante.
Foi difícil iniciar um trabalho como estes em Venâncio Aires/RS. Primeiramente por ser uma cidade que até então não estava acostumada a conviver com arte, com teatro e muito menos com palhaços. Faltavam momentos de real cultura à comunidade, as referências ainda eram poucas ou distorcidas. Faltavam espetáculos, faltava cursos, faltava espaço, faltavam profissionais, faltava interesse em consumir arte. Faltava quase tudo! E ainda falta... mas menos. Mas sobrava vontade de fazer, em mim e em tantos outros.
Queríamos tornar a cidade mais aberta para diversas formas de expressão artísticas e encontramos no teatro a saída para isso. Sempre quis colocar a arte a disposição das pessoas, ajudar quem precisa, contribuir para uma mudança profunda nas relações pautadas no “ganha-ganha” e não na troca. Encontrar o hospital como forma de transformar as ideias em realidades foi o ponto de partida. Lá no Hospital São Sebastião Mártir encontramos o lugar exato para colocar em prática a nossa arte e levar sorrisos a quem necessita.
Passamos a estudar dia e noite a linguagem do palhaço. Esse processo envolveu muitas leituras e diversos filmes. Buscamos referências no trabalho com palhaços em hospitais e encontramos bons grupos sérios e profissionais que são nossos mestres até hoje. Foram cursos e oficinas, ensaios e reuniões, tudo para deixar o projeto pronto para a execução. Quando isso aconteceu, apresentamos a proposta ao Hospital São Sebastião Mártir de Venâncio Aires/RS e fomos convidados e iniciar o trabalho em um período de teste e avaliação. Passamos no teste! O trabalho foi aprovado e adorado por toda a equipe técnica de saúde e administrativa do hospital.
Foram lindas as nossas primeiras visitas. A cada plantão, sentíamos que o trabalho possuía uma função importantíssima junto aos pacientes, familiares e profissionais de saúde. Eu, Julio Nascimento e Helena Jungblut, meus parceiros de fundação, ousamos sonhar juntos esse projeto, e o colocamos em prática.
Hoje o trabalho tem outra cara. Mais maduro, mais profissional, com maiores responsabilidades, com uma equipe gigante. Seis anos depois a essência continua a mesma, mas os desafios são a cada dia maiores e mais motivadores. A cada sorriso conquistado a duras penas de uma criança fadada a dor, queremos continuar. A cada novo olhar que um adulto dá ao palhaço, queremos continuar. A cada porta de leito que se abre, queremos ser múltiplos, serenos, fabulosos e continuar.
São inúmeras pessoas que apoiam e acreditam no projeto Doutores P. São inúmeros profissionais envolvidos nesse trabalho, não só os 6 palhaços estampados nas fotos ou andando pelos corredores as vezes frios do hospital. Para que as visitas sejam feitas, para que o post no face seja atualizado, para que a matéria no jornal seja estampada, para que a nota fiscal chegue ao patrocinador, para que as maquiagens sejam compradas, para que o instrumento seja afinado, para que o cenário pesado seja montado, por traz de tudo isso existem pessoas, que acreditam que a arte, o palhaço e a alegria podem sim tornar o mundo um lugar melhor para se viver.
É preciso dizer que o projeto está a cada dia mais vivo e com mais vontade de crescer, fazer e acontecer. Nosso narizes vermelhos curiosos estão tomando espaços antes jamais imaginados, e conquistando corações e olhares que antes temerosos e receosos se tornaram de admiração. Muitos “nãos” ainda vamos receber, mas estamos preparados, viu! Os entendemos até. O palhaço quando ouve um não, sabe que aquele não, pode se tornar um SIM, bem grande e sorridente.
Então, que nossos palhaços adentrem muitos quartos, abram muitos sorrisos, recebam muitos nãos e outros tantos “sims”. Que exista música no hospital e um palhaço oferecendo seus melhores atributos para estar ao lado de quem sente dor.
E que existam pessoas que multipliquem esta alegria. Do palhaço e de todos nós.

Narigadas no Geison.

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